Deixa fluir

Deixa fluir

Ai ele me pergunta: você tá bem? 
E passa um filme na minha cabeça, desde o momento que nos conhecemos, e que eu nem imaginava que iríamos nos dar tão bem, até o momento em que terminamos. Recordo cada palavra, cada toque, cada briga, choro, riso. Ah, o meu sorriso! Era tão mais feliz, tão mais espontâneo quando você estava presente, era um riso frouxo, saía com tanta facilidade quanto as minhas declarações de amor. A vontade de fazer ele relembrar de tudo é tão grande que quase sai uma confissão. E a verdade é que o meu coração tá sentindo falta do morador e que o seu lugar vai ficar vago, se não pra sempre ao menos até você ir morar em outro lugar. 
Mas você engole tudo, e a única coisa que fala é: tô.
 
*Este texto já foi postado no blog Amanda Domenico*
Débito ou crédito?

Débito ou crédito?

Só dessa vez eu acreditei e depositei no seu banco a minha poupança para erros emergenciais. Você foi a minha prioridade durante anos, te entreguei o meu amor como se entrega um cartão de crédito ao caixa após uma compra satisfatória. 
“Passa no débito por favor.” 
Assim, de uma só vez, e ainda assim todo mês eu creditava mais amor, enquanto você parcelava cada vez mais em quantias pequenas. O teu coração era pequeno e o meu amor em grande quantidade te fez recuar, já o meu enorme coração continuava em débito com as migalhas que me oferecia. Agora já não me entrego mais, vou indo mas sempre com um pé atrás. O máximo agora é “Me vê uma amostra grátis de amor.” E se eu gostar pago em 120 dias.

Ela & Ele

Ela & Ele



ELA

Quando eu soube que ele estava por vir tratei logo de sumir, a verdade é que eu não poderia vê-lo nos braços de outra, protegendo, amando, sendo tudo aquilo que eu fui para ele e sempre quis que fosse para mim. Fiquei até sabendo que ele perguntou por mim, eu não sei porquê raios ele faz isso!
Eu disse pra escolher, já tinha me cansado de ficar na retaguarda, na reserva. Ele me chamava de anjo, dizia que eu era a sua protetora, melhor amiga… “Mulher pra casar”. Por causa dessa visão sobre mim que eu esperei tanto tempo, tinha todo aquele papinho de “só não quero te fazer sofrer, tenho medo de entrar num relacionamento e não dar certo” e acabou me machucando mais do que se tivéssemos tentado. Pra quê ainda vim atrás? 
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Porto seguro (04)

Porto seguro (04)

Lá dentro, deitaram o Bernardo na cama, enquanto a Dona Eliza conversava com Stefany.
– Como você está?
– Bem e a senhora?
– Bem, também. Soube que o Bê saiu do trabalho?
– Não, eu pedi pras ninguém me contar mais sobre ele. É complicado pra mim esquecê-lo com tantas informações, eu precisava sentir que não fazia mais parte da vida dele.
– Mas você foi a primeira pessoa que ele pediu pra avisar. Me deu até um pouco de ciúmes kkk
– Que bobeira. Ele só me vê como um porto seguro e para as horas difíceis, eu queria mais do que isso.

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Porto seguro (03)

Porto seguro (03)

      
      O telefone toca, ela vai até a sala, baixa o som e atende. 
– Alô?
– Alô, gostaria de falar com a Stefany.
– É ela, quem é?
– Oi meu bem, aqui é a Vanessa. Eu não sei como te informar isso, você é a namorada do Bernardo, certo? Olhe, tenha calma, ele acabou de sofrer um acidente aqui na orla, já tomamos as providências e ele está sendo encaminhado para o hospital. 
– Como assim acidente? Como ele está? Qual o hospital?
– Ele está lucido, até o que eu sei faturou a perna. Ele ultrapassou o sinal vermelho e o meu marido bateu nele. Tem dois amigos com ele, porém eles não sofreram nada e vao acompanhá-lo. Ele pediu pra ligar para você. 
– Obrigada, Vanessa. Me passa o endereço do hospital que eu vou. 
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Porto seguro (02)

Porto seguro (02)


      Certa vez se esbarraram num barzinho, onde os dois costumavam ir juntos, o lugar era tão demarcante deles que o garçom tinha se transformado em amigo íntimo, e sempre que os via lá, separadamente, já ia informar ao outro e assim evitava esses encontros. Quando ele chegou ela já estava sentada a mesa, curtindo o show de MPB ao vivo, após algumas olhadas dele, ela se virou e os dois encontraram-se no olhar, cumprimentou-o com um sorriso dócil e o coração tão palpitante que parecia querer sair de dentro dela. Ele retribuiu o sorriso, com um sorriso de canto, de forma com que dissesse “gostei de ver você, a saudade tá imensa” a olhou de baixo a cima, virou o rosto e fingiu continuar uma conversa. Ela se virou e tomou um gole do refrigerante, conversou com os amigos e resolveram ir a outro lugar “não vou aguentar olhar pra ele por muito tempo, vai parecer que eu to fugindo e eu não me importo, só quero ficar longe”. Chamaram o garçom, pediram a conta e tiveram que passar pela mesa dele:
– Já vai?
– É, só estávamos esperando a Isabela e ela tá no cais, vamos passar por lá e ir a outro lugar. 
– Beleza, a gente se vê por aí.
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Porto seguro (01)

Porto seguro (01)

      Ela conseguia ser doce, mesmo quando era rude e o fazia ter calafrios sempre que brigavam e ela saia para as noitadas. A dúvida que sempre rondava a cabeça dele voltava a tona nesta noite “será que ela vai embora de vez?” 
      Ela fingia que esqueceu, tentava tocar a vida, ele fazia o mesmo, nenhum dava o braço a torcer e o destino mais uma vez se dava ao trabalho de juntá-los. Ela repetia em todas as brigas que estava cansada dele não tomar nenhuma atitude “não era ele que vivia dizendo que sabe o que quer da vida? Não é ele que tem tudo planejado? Até parece uma mulherzinha Então se ele falou que é pra eu não aparecer mais, é porque ele já queria isso e não me coube no futuro perfeito dele.”
      Querendo ou não todos esses desentendimentos era o que os fazia amar mais, os dois eram muitos intensos, ficaram dependentes um do outro, e mesmo com todo o papo dela que prefere ser livre, foi a que mais se moldou e agora só restou uma asa para voar. Read more